TENDÊNCIA PARA A DESGRAÇA


Somos sobreviventes, heróis, numa disputa entre 40 milhões de gâmetas, antes de fecundar e sair do ventre. Esse esforço, tem nos levado na vida a uma tendência antropofágica e de psicose, com tendência para a desgraça. Se escrevesse neste espaço sobre a vida alheia, os cinco sentidos seriam aguçados, porque fomos treinados pelo sistema a se apresentar como é convencional, cuidando dos que os olhos vêem e não como somos, miseráveis, na medida da alma pequena. O ter sobrepõe o ser.

As primeiras explanações aparentam um autor pessimista, negativista, mas, com o tempo, lerão ao contrário. A bem da verdade, falamos e escrevemos pelo momento em que vivemos. A construção do texto e das circunstâncias são fragmentos de todo o instante da aspiração e respiração. Expor sentimentos não é algo fácil, por isso preferimos a exposição deplorável das emoções dos outros. Gostamos de ser juízes e não sermos julgados. O medo umbilical, da sobrevivência, persegue-nos até o último suspiro.

Todos os dias levantamos para cumprir metas e, os mais altivos, para realizar sonhos. Mas, a maioria, tem inclinação para observar o insucesso dos outros, do vizinho, do mais próximo, alimentando sentimentos além das fronteiras da bondade, como ciúme, orgulho e inveja, as mais poderosas armas destrutivas do mundo.

O mundo cão nos fascina. Justamente porque nele nos encontramos, nos porões da inconsciência, onde se encontra os entulhos que guardamos como brinquedo de estimação. Envergonhados, preferimos rir e debochar das imperfeições dos outros, porque não temos coragem para recriminar as nossas.
Sei o quanto é difícil alguém chegar a ler tudo isto e reter o que é bom, porquanto a velocidade da informação não permite esperar tanto, com leituras sobre a existência, como observar um quadro abstrato, sem entendê-lo, porque nos alimentamos mais das coisas superficiais e claras, factíveis. A nossa mente, nesta geração, está sendo treinada mais para a leitura em código, dinâmica, sem muita exigência de raciocínio.

Esta efémera atmosfera da globalização nos dá o perfeito entendimento do quanto estamos programados para ser superficiais e tendenciosos para caos.

Publicado por

Jackson Rangel

Jackson Rangel Vieira, brasileiro, natural de Guaçui, Espírito Santo, com raiz em Cachoeiro de Itapemirim. Jornalista, nascido em 1963, combativo, responsável por produção de notícias e artigos. Analista político. Evangelista. Advogado, casado com Cristiane Feu Rangel Vieira. Dois filhos: Jackson Rangel Vieira Júnior e Nayara Tristão Vieira. A Bíblia é sua regra de conduta e fé.

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