A experiência de um menor servo, vivendo e andando em espírito, será a de um solitário dentro do sistema humano, aos olhos naturais, pois a loucura da cruz o remete a um silêncio ensurdecedor, com resposta no tempo de Deus, cujo relógio funciona de modo inverso ao sentido biológico da humanidade, do nascer ao poente do sol. Um dia como mil anos e dois dias pode, então, ser dois mil, e vice-versa.
Com o silêncio de Deus a gente quase enlouquece, pois parece, em princípio, como o deus baal, no tempo de Elias, em que não responde às petições ante o desespero, quase em alto flagelo. Nesse silêncio, a oração do justo o leva ao desespero a ponto de discutir sem fé sobre as promessas do Criador.
Jesus Cristo prometeu dar ao que pedir. Mas, poderia ser ainda mais claro se a resposta não leva em conta o relógio de pulso que sincroniza com o tempo dessa estação em detrimento do tempo da dimensão celestial, da nova terra e novo céu. Aquietai-vos que eu sou Deus. Esta é a resposta.
Numa experiência impar, não sabendo, pela demora, se era vontade ou permissão de Deus, busquei dias, que pareceu anos, sem encontrar e nem receber. E quando não esperava, ele falou. O silêncio se dissipou e a resposta das petições com ações de graças encheram o coração de unção.
Amado, na angústia é que o Senhor demora e silencia, pois o pecado que habita também nos filhos nos faz merecer a correção para aprimoramento da santidade. Do contrário, desonraríamos a Ele a pretexto do imediatismo, como se não fosse preciso empreender esforço para disputar Sua presença.
Deus responde no silêncio. Deus responde quando nem se pergunta. Também isto é curioso, como que uma revelação da Palavra direta para o centro do coração daqueles que lhe serve. O Consolador, com seus gemidos inexprimíveis, antecede ao lance de sua vida e refrigera a alma no inesperado.
Quem evangeliza encontra pessoas com todas as carências, sem compreender a pessoa de Deus, ainda que sejamos à sua imagem e semelhança. A palavra de conforto ante a pressa da vida, para quem ainda tem escamas nos olhos como qualquer ser humano longe da graça, é derrotar o deus deste mundo que cega os homens.
Na apresentação do Plano de Salvação, resumido em João 3:16, encontra-se o estilo de vida que elimina a necessidade do relógio utilitário e lhe obriga a ficar à sombra da cruz, vivendo o hoje como se nunca houvesse existido o passado e muito menos perspectiva de futuro. Só o agora! O instante de Deus!