A timidez me descobre em formação


Vejo-me, agora, com aproximadamente 7 anos de idade, já em busca da predestinação. Determinado a saber o motivo de existir. A exterioridadade me assustava. Ir à escola, primeiro pelas mãos de minha mãe, depois sozinho, andando cerca de 3 quilômetros, era algo misterioso, de descoberta. Minha quietude permanecia na sala de aula, com poucos colegas.

A timidez, talvez, surgira do nascimento. Mistura de genética e condicionamento social. Alimentei mecanismos de defesa. Não admitia não ficar entre os melhores, em quaiquer áreas. Minha notas tinham de ser boas, mesmo a matemática sendo minha algoz. Nas deficiências extra-curriculares, ausentava-me para não receber avaliação abaixo da média. Em todas as brincadeiras e jogos de crianças eu era o melhor ou um dos melhores.

Por essa fase ainda, descobri parte da minha sexualidade. Tentava imaginar, pelas conversas dos adultos, como era beijar e como seria um órgão sexual feminino. Então, no acaso, a beira do Rio Itapemirim, que corta a cidade, encontrei uma revista sueca, com imagens impactantes de relações explícitas. Não me lembro ter ficado excitado, mas surpreso pelas cenas coloridas.

Escondi o “tesouro” no porão da velha casa onde morava, com destaque para o pé de abiu no quintal, uma fruta, hoje, pouco cultivada, mas doce como néctar. Não guardei o segredo. Compartilhado com outro colega – não me lembro nome e nem feição -, ensaiamos no toque inspirado no achado, em revesamento, sem nenhuma inserção. Coisa, literalmente, de criança. Nada de prazer. Só a curiosidade!

A vida introspectiva tinha seus segredos, muitos, e irei contá-los, sem censura, na medida do alcance da memória.

Publicado por

Jackson Rangel

Jackson Rangel Vieira, brasileiro, natural de Guaçui, Espírito Santo, com raiz em Cachoeiro de Itapemirim. Jornalista, nascido em 1963, combativo, responsável por produção de notícias e artigos. Analista político. Evangelista. Advogado, casado com Cristiane Feu Rangel Vieira. Dois filhos: Jackson Rangel Vieira Júnior e Nayara Tristão Vieira. A Bíblia é sua regra de conduta e fé.

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