A mudez política envergonha o povo

Por Jackson Rangel Vieira

O presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Pedro Valss Feu Rosa, deveria ganhar a homenagem como o “Homem do Ano” pela coragem de enfrentar um tipo de crime organizado invisível no submundo de cartéis formados por colarinhos brancos. Ele sentenciou de morte os seus membros com indescritível destemor.

Diante de quadro nefasto contra a sociedade capixaba, depois de desbaratar quadrilha de alta periculosidade com núcleo em Presidente Kennedy, cidade rica de povo pobre, requereu força tarefa da Polícia Federal ao Ministério da Justiça. Sabia que os tentáculos da corrupção extrapolavam as fronteiras do litoral, com ramificações em quase todos os Municípios.

Pedro Valls Feu Rosa não colocou todo peso de sua autoridade legítima, como também a força do idealismo incomum no arcabouço de seu habitat, tão criticada pelo povo em razão da falta de celeridade que promove injustiça. Ele responde ao clamor da população, contudo, a mudez do serpentário político intriga os incautos e promove desconfiança sobre blindagem enigmática.

Não vi e nem li senadores, deputados estaduais e federais, e nem a resposta do ministro Eduardo Cardozo sobre singular apelo. Como capixaba, neste momento, tenho vergonha até pela omissão do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), em estado letárgico e sobre a linha milimétrica de suposta conivência pelo não extermínio dos corruptos e corruptores.

Nunca, em 30 anos de jornalismo, tinha registrado um Judiciário autocrítico, transparente e com afinidade com a o sentimento popular. Talvez, os políticos não saibam, mas as ações destemidas e o sentimento social do presidente do TJES promoveram no sentimento coletivo a melhor e maior de todas as concepções de Poder: A conscientização de um povo.

O texto pode parecer exagerado para quem tem a visão limitada do que deseja interpretar. Porém, ninguém consegue parar ou matar uma ideia. A pusilanimidade pode atentar contra o  conceptor, mas como gibi, nunca o mal vence o bem.

Não há de falar em Segurança, Saúde e Educação sem erradicar a corrupção. Avante presidente. Os descamisados estão com Vossa Excelência para atravessar o Mar Vemelho e tomar posse da Terra Prometida.

Municipalização da honestidade por Jackson Rangel Vieira

Da forma como caminha o sistema de Montesquieu no Brasil, infectado com corrupção crônica, defendo a “municipalização da honestidade”, cada sociedade, longe do pacto federativo, estabelecer nova ordem funcional.

O Estado é subjetivo, federal e estadual. Tem Palácios e comandantes que lá vivem à custa do dinheiro dos cidadãos que moram em ruas, bairros e cidades. O contribuinte vive no Município, mas é imposto a sustentar um sistema obeso.

Longe da anarquia, contudo, ao que se vê diariamente, quero um Brasil fracionado com novo formato de gestão, sem gargalos de desperdícios e malversação do erário, sem mencionar outras tipificações de crimes contra o interesse público.

Como isto se daria? Os munícipes produziriam para si, dentro de organograma simplificado de autossuficiência, autônomo e capaz de gerir suas próprias dificuldades. Longe de “mensaleiros” e “cachoeiras”, porque existirão sob absoluto controle.

A maior afronta é a federação sugar todas as fontes de energia do brasileiro local, sem que ele tenha o direito ou consiga determinar seu próprio futuro com legislação tosca, manipulação da engrenagem bicameral e com Tribunais subservientes ao Executivo.

O prefeito do futuro se quiser se excluir da corrupção endêmica vai precisar cortar as gorduras saturadas e dispensar parcerias com governos invisíveis que precisam manter a roda-vida da hierarquia: de cada R$ 10, 00, chegar até ao cofre apenas R$ 4,00. 60% ficaram no meio do caminho entre pedágios e extorsões.

É preciso organizar o pensamento e a proposição da “municipalização da honestidade”, o que demandaria uma subversão sem retirar o curso existente da conectividade do cidadão federativo. Porém, não tenho ideia melhor.

twitter/@jacksonrangel

Juiz afasta por improbidade Secretário de Obras de Cachoeiro de Itapemirim-ES

Capa do Jornal Folha do ES – Dia 11/05/2012