Os “Evangélicos” estão matando Deus

*Jackson Rangel Vieira
 
Os evangélicos inventores da pirotecnia gospel com repertório para todos os gostos de pessoas religiosas estão matando Deus. Subtraíram a espiritualidade e inserirem a religiosidade com dosagens fortes de emoção no rito, com superprodução de palestras sem nenhum compromisso com a invocação do Espírito Santo.
 
Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo e Bíblia se transformaram retórica de conferencistas e levitas comprometidos com o mercado gospel, aonde rola muito dinheiro e enriquecimento ilícito, sob a proteção do Estado. Deus definha no coração de compradores desta “fé” que se esfria dia-a-dia. A humanidade, criatura, se rebela contra o Criador.
 
As Igrejas feitas pelas mãos de homens são point de pessoas que conhecem a Deus, mas sem submissão. Vale-se de uso e costumo para uma satisfação interior programada para manipulação e sugestão por sacerdotes que se especializam mais na psicanálise e psicologia em detrimento da teologia do Reino de Deus. Holocausto espiritual!
 
O caminho está cada dia mais estreito no pós-modernismo. Transformaram o lugar santo em palco de shows. Chamados homens de Deus não vivem mais pela fé, antes pelo vil metal em contratos de conferencistas e pastores escalpelando os incautos negligentes em conhecer a vontade do Senhor pela simplicidade da Graça em Cristo. A ordem do culto, tanto é assim, primeiro os efeitos especiais. Por último, em ínfimo tempo, a Palavra.
 
A ofensiva dos falsos profetas, alguns estão caindo em desgraça para vergonha da Igreja. Por todos os lados, ensinado fábulas e filosofias vãs, negando a misericórdia e compaixão aos sedentos da Salvação. Estão matando Deus da presença do ser humano, mas nunca a criatura que está determinada a se tornar nova: filho e não bastardo.
 
 *Jackson Rangel Vieira é jornalista e evangelista

Prefeito petista faliu Cachoeiro-ES

*Jackson Rangel Vieira 
 
Em quatro anos e meio de mandato, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim-ES, Carlos Casteglione (PT) faliu o Município por incompetência e excesso de improbidades. Obras paralisadas – outras nem iniciadas e prometidas -, além de falta de planejamento financeiro entre as saídas pelos gargalos ilícitos e a arrecadação decadente.
 
Chegou ao cúmulo de confessar gastos de 1 milhão e meio de reais na festa de Cachoeiro de 2012 e que este ano só dispõe de 100 mil reais. Ora, esta conta foi quanto custou a reeleição, além de outros caminhos tortuosos na administração pública por um irresponsável sem pudor, juntamente com seus assessores dentro e fora do Governo.
 
Em linha de interpretação pelos atos de um prefeito com quase uma dezena de acusações por improbidade, pode-se dizer um criminoso de colarinho branco, porquanto também estão morrendo cachoeirenses por falta de Saúde e Segurança. Negligência e irresponsabilidade. A Unidade de Pronto Atendimento, Paulo Pereira Gomes, a maior da cidade, mata ao invés de salvar.
 
Sobra esta Unidade de Saúde, além de pessoas morrerem por falta de atendimento, diagnósticos errados, agora, por último, registros de assédio sexual, estupro, enfim, uma casa de terror. Para surpresa da população, autoridades não tomam providências para essa carnificina dolosa ter fim. Um descaso sem precedentes na história de Cacheiro de Itapemirim.
 
Na área da Segurança Pública, aquela velha história de ser da competência do Estado. Então, o prefeito mantém uma Guarda Municipal Civil sucateada, desvalorizada e mantém os agentes de trânsitos – visando arrecadação forçada – como representantes de uma indústria de multas para ganharem por produtividade venal.
 
Não existe ofensiva contra o tráfico porque o comandante do Município é um fraco. Não tem coragem de ressuscitar o Conselho de Segurança, convidando a Justiça, o Ministério Público, as Polícias para ações integradas de desmantelamento de quadrilhas e bocas de tráficos. Não se tem que saber sobre razões sociológicas do porquê facções estão em guerra neste ou naquele bairro. Isto é brincadeira!
 
Se existir melindre entre autoridades, por atribuições, que o prefeito assuma de peito aberto a sua condição de responsável pelo solo cachoeirense e pela sua gente. Aumenta o efetivo da Guarda Municipal. Remunere bem os seus agentes. Treine e recicle – até, se preciso com os soldados israelenses – para o embate com o mundo da criminalidade, diminuindo esta matança civil.
 
O senhor Carlos Casteglione, sim, ele, faliu o Município de muitas riquezas, a partir de seus cidadãos honestos, hoje, mais do que nunca, reféns de um governo desonesto e fraco.
 
 *Jackson Rangel Vieira é jornalista

PH mais Magno é igual menos Casagrande

*Por Jackson Rangel Vieira

O Governo de Renato Casagrande (PSB-ES) tem estado tão fragilizado, mesmo deitado sobre colchão com reserva de cerca de R$ 2 bilhões, que qualquer cruzamento de dados dos adversários apresenta extremo perigo à sua reeleição. E se Magno Malta (PR) se juntar a Paulo Hartung (PMDB) ou vice versa?

A pergunta pode ser considerada banal, hoje, considerando até mesmo as deformações dessas duas lideranças, contudo, a soma dos resultados menores  de Magno e Hartung totaliza vantagens eleitorais maior do que a performance de Casagrande. O governador não conseguiu, ainda, digital para marcar seu Governo, positivamente. Gestão confusa na Saúde, Educação e Segurança, tripé que sustenta ou afunda qualquer Executivo.

Renato Casagrande está indo mal nas áreas essenciais mencionadas e deixa transparecer falta de ambição de poder, como se tivesse já cumprido sua missão de apenas ter conseguido ser governador. Vou mais além sobre a fragilidade política do governador. Até uma combinação de Ricardo Ferraço e Magno Malta ganha força sobre um palanque em que até o PT pode trepar. Quem quiser ganhar o coração do republicano, basta garantir a reeleição da sua esposa Lauriete (PSC), deputada federal.

O ingresso no cenário nacional para Presidência da República do presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mexeu as pedras de todos os cenários onde os socialistas são protagonistas. No Espírito Santo, o PT não tem musculatura para disputar o Governo do Estado, mas vai desejar negociar a vaga para o Senado. Neste caso, João Coser terá a preferência. Logo, de imediato, Dilma Roussef está fora do Palanque de Renato Casagrande. Os adversários, antes na adversidade, vão aproveitar estas curvas da política macro.

Agora, não descarto uma possível conversa entre Magno Malta e Paulo Hartung para guindar os dois para patamares antes desconsiderados. Malta para governador, Hartung para o Senado. Ou Ricardo Ferraço (PMDB) para governador, Coser para Senador. E por fim, Hartung para governador e mantendo Coser para o Senado. Esta conjectura tem mais vertentes possíveis do que outras relacionadas a Casagrande.

O governador só teria uma saída, ainda resistente: a união com o PMDB para sua reeleição, garantindo Hartung para o senado. Ricardo aceitaria, acho. Coser ficaria de fora ou correria paralelo, neste caso aceitando a companhia de Magno Malta em aliança tolerante.

O surgimento dessas equações só existe porque o governador não contém muita gordura para queimar, apenas acenos maquiavélicos de todos aparentes aliados e ao mesmo tempo um clima de espectro e ausência da noiva para colocar a aliança nos dedos em casamento de muitos adúlteros. Fidelidade é um artigo raro na política e, principalmente, nos dias de hoje.

*Jackson Rangel Vieira é jornalista

 

 

Tempos de brincar, de prazer e de chorar

A minha meninice parecia normal. Ou seja, sem aparente diferenciação para alguém com mundo interior já bem maior ao exterior. Na bola de gude, ninguém me vencia. Força e precisão nos dedos. Nas brincadeiras que exigiam esforço físico e rapidez, dificilmente era alcançável. Infantil, porém me sentia poderoso, orgulhoso de mim mesmo, por vencer aqueles inocentes embates.

Contudo, deparei-me com defeitos de gente. Sentia desejos e atração comprimidos pelo sexo oposto. Convivia com lágrimas e reflexões nos recantos por causa da complexidade conjugal entre minha mãe e meu padrasto. Em alguns momentos, estimulado por insinuações maternais, era fato o sentimento de rejeição, como estranho no ninho. Nascia em mim muitos amores platônicos e também o medo de um mundo não vivido.

A vida intimista era um escudo perfeito. Gostava de me esconder naquele universo só meu, construído com múltiplos sentimentos, inomináveis para a minha idade. Ficou mais latente dentro de mim uma força de caráter visível. Como mais velho dos irmãos por parte de mãe, a criatividade me dominava. Rejeitava o mundo já criado. Ansiava pelo meu. Com isso, tentei gestar o mundo perfeito. Era utópico, mas eu não sabia o significado de surrealismo.

A primeira vez em contato com meu corpo foi durante o banho, por acaso, com jato de água quente em direção ao meu glande, produzindo uma sensação inédita de prazer, com gozo sem sêmen. Não sei como foi aquilo. Não lembro ter pensado em alguém. Apenas senti! A partir de então, procurei sempre produzir aquele êxtase, agora, com as mãos.

As lágrimas apareceram junto com o prazer. Fui apresentado ao sentimento de culpa e também à maldade. Vi meu pai agredir minha mãe com alguma frequência. Amava minha mãe e respeitava meu padrasto. Era a criança boa aos olhos alheios, porém censurável aos meus. Era a adolescência chegando com a percepção do livre arbítrio. 

A cerca do arrependimento, com fantasmas e TV

Sem precisão, sobre curtos tempos de crianças, vou relatando as imagens espectras. O primeiro pesar de morte, quando no quintal da minha casa, onde me lembro de grande parte das peraltices, jogava pedras sobre um pássaro branco, acho, já doente. Depois do feito, senti o forte sentido de arrependimento.

Ali, naquele quintal, eu, meu irmão do meio, e alguns amigos, se dependuravam sobre uma cerca de madeira para assistir a quase cinco metros de distância, a televisão do vizinho. Era prazeroso, no sol ou na chuva, ver vultos em movimento no vídeo hipnotizante. Nunca fomos convidados a entrar. Esta parte me chama atenção. Por que?

Ao lado da minha casa, havia uma serraria de móveis e uma lenda urbana: um fantasma que morava dentro daquele posto de trabalho. A descrição era de que o espírito desencarnado tinha um braço sem mão, serrada ali, durante em vida, num acidente de trabalho. Quando a gente entrava lá com os colegas, eram com olhos esbugalhados.

Passando o play, a maior alegria foi quando meu padrasto trouxe de surpresa a primeira televisão, em preto e branco, para a sala. Não tinha como descolar os olhos, assistindo desenhos animados e a novela Irmãos Coragem. Foi a libertação da cerca do vizinho enigmático.