Falar a verdade é coisa de “doido sem medo”

A recepcionista do meu prédio me parou e me disse:

– Doutor, o meu filho diz sempre que é fã do senhor ao ler seus artigos. Ele fala assim: “Este é o cara”

Eu me recompus rápido e pedi-lhe que agradecesse ao seu filho pelo incentivo.

Mas, em seguida ela completou:

Eu digo a ele que o doutor é doido, escrevendo estas matérias de denúncias contras esses homens

Então parei e me interessei pelo raciocínio dela em contradito ao do filho.

– A senhora acha que eu deveria parar de denunciar?

Respondeu:

– Não, a gente precisa saber o que está acontecendo. Esses políticos são tudo corruptos!

Disse-lhe:

– Então sou um “doido” que devo continuar?

Explicou:

– Não, doutor! Eu acho que outra pessoa teria medo, é por isso. O senhor não tem não?

Então respondi, recebendo dela um sorriso gracioso:

– Não! Eu não tenho medo, justamente pelas pessoas que têm medo porque são indefesas.

Perguntei-lhe:

– Devo continuar um “doido sem medo” ?

Ela não titubeou:

– Doutor, sumiram com a edição anterior. O senhor guarda pra mim a próxima edição, Estou ansiosa para ler os babados!

Prometi:

– Entregarei na sua mão!

E fui trabalhar, pensando: eu devo ser um maluco beleza!

Quando a ” grande” Imprensa erra, as redes sociais erram mais ainda

Matéria do jornal o Globo (10) afirmando decretação de prisão preventiva do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), dirigente nacional do partido, pegou os demais veiculos de comunicaçao de surpresa e virou febre nas redes sociais que vai precisar se proteger com algum tipo de filtro contra “furos” de reportagens. Estagando a banlização.

Contudo, a Imprensa crítica e dura com os políticos corruptos sofreu um revés com a informação, segundo a Polícia Federal, com desmentido da própria PF ser tudo inverdade o envolvimento do pedetista e muito mais ainda emissão de prisão.

Sérgio Vidigal, que já chegou ser o prefeito mais bem avalido no Espírito Santo, com mais de 70% de aprovação, e está na Colômbia, ministrando palestra, foi vitimada pela “barrigada”, jargão, utilizado no jornalismo quando se comete erro crasso.

O assunto demorou horas para ser desmentido pela imprensa responsável depois de checada a história. Como ele está fora do País, não acredito em dissimulação institucioonal para garantir a sua volta em razão de possível e real prisão. Seria demais para os leitores entenderem este imbróglio e sua legitimidade.

O protetor do cemitério dos escravos negros

Em algum lugar do principal distrito do mundo, existia uma Fábrica de Cerâmica que atendia no fornecimento de tijolos à região.Com solo rico em argila, aquela enorme Casa Grande e seus fornos artesanais fora um enigma para os moradores que necessitavam passar em ruas próximas, isolada de construções no entorno por conta, justamente, de recorrente aparições do Saci Pererê.

Acima, ao alto monte, o Governo Federal construíra uma escola técnica, obrigando a comunidade criar caminho de trilha ao lado da parte esquerda da cerâmica para os pais levarem seus filhos ao colégio. No período matutino, a atmosfera era positiva. Só se comentava sobre a lenda, mas ninguém se desafiava a conhecer o interior da fábrica de mais de um centenário de existência.

Ao por do sol, tudo mudava para aquela aldeia de moradores. O morro protegia a cerâmica da luz e a sombra encobria toda sua extensão antes do anoitecer. Era quando entre um e outra testemunha se apavorava em contar sua visão do personagem literário do Saci Pererê na entrada, única, do depósito das lamas formatadas para construção. Aparecia no portal como guardião.

Alguns professores, gente com maior intelectualidade, tentavam justificar a sincronia dos contos por várias pessoas diferentes sobre a mesma história. Afinal, qual a simbologia ou verdade sobre o Saci Pererê sair dos livros, amigo das florestas para morar e assombrar as pessoas naquela Cerâmica. Os pesquisadores autodidatas descobriram algo que poderia ter conexão.

E qual seria essa suposição? De fato, historicamente, antes da existência da cerâmica, aquela planície era um cemitério de escravos negros, remanescentes do pós-abolição. Ali, escravos de fazendeiros eram enterrados como indigentes. Mas, porém, o que o cemitério teria a ver com a figura imaginária ou não, do inconsciente coletivo, do Saci? Eis o mistério e a resposta a seguir!

A resposta tinha sentido quanto à origem do protagonista lendário e conexão com os escravos. O Saci, como todos sabem, é um tipo de sentinela das florestas, de uma perna só, fumando cachimbo e ostentava um gorro vermelho. A semelhança gerava uma remota possibilidade do motivo da aparição dele: o Pererê é negro. E matas densas não faltavam ao redor do povoado.

Nunca alguém contara que o Saci tivesse assustado os que o avistaram. Mas o ser humano é medroso por natureza. Só de ele estar lá, quando queria, em estado peralta, com sorriso maroto, apavorava. Supuseram que com avanço da selva de pedras, aos poucos, o Saci tenha decidido morar na Cerâmica para proteger e brincar, provisoriamente, e afastar ao anoitecer os intrusos, em carinho pelos ancestrais açoitados. Tem sentido.

A cerâmica fora demolida para dar lugar a muitas casas e ruas trançadas sobre as lápides inexistentes dos negros submersos metros abaixo do solo argiloso. Com a chegada do progresso, o século 21, o simpático Saci Pererê tinha suas estórias rareadas. Talvez sua missão ali já não fizesse mais sentido.

Ele, quem sabe, fora se apresentar guardião de outras ocultas terras que necessitariam dos seus préstimos de peraltice: cemitérios, celeiros, cerâmicas, em outras paragens, ou florestas, distantes da invasão dos espigões ainda mais assustadores até do que lendários e heróis sensíveis como o Saci Pererê! É possível! É possível!