Pensamento Perfeito: O Chip

Estufa de cetim, assentamento de rei. Sua majestade, a Vida, destina vazio para o que serei. Tudo é muito pouco. Ouço ego dentro do eu.

Uma a uma, a cada frustração, a petrificação dos rins chega até ao coração. Doente fica o corpo e a alma desaceleram em hipotermia.

Inclinado à beira da cama, pensa no que pode lembrar. Sensibilidade mesmo só na inércia. Parado, sem palavras, só tem resto do interior.

Outro mundo, o real, é como se fosse a ponte bucólica com poucos passantes. Sente saudades dos tempos sem câncer, sem paralisia mental.

Tentações não cessam com o esfriamento do espírito em virtualidade abusiva e viciante. Outrora, a pracinha do bairro era tão ocupante.

Assassina, a Vida altiva lhe conduz a caminhos fragmentados e sem sinalizações por teclados frenéticos de mundo paralelos sem sentimento.

Tormentas mesmo a anatomia em coma. Uma catarse carcomendo célula por célula, causada pelo tédio infinito, tomado pela terna solidão.

Desde da infecção, as redes se conectam e gentes nunca tocadas produzem artificiais momentos em troca dos seus reais elementos.

Oscilações, no limiar, são imperceptíveis , até ao acaso de não mais sentir a pernas passeando. Enfermidade não classificada, a tela hipnotiza.

Suas asas voam para aonde os sonhos não podem levar. Tempo passa. O tempo escoa. Um estado de loucura pluralista com cores vibrantes.

Digno de pena os avançados no estágio de completa entrega ao enigmático mundo novo. Instantâneo, efêmero e sem criador. Similaridades.

Poço sem fundo, tomado por imaginação, a solidariedade se intensificam nas palavras, pois não existe mais ação e nem mais a benignidade.

Olhar é aguçado e de maior importância entre demais sentidos. Sorvido por tantas informações, a mente em transe na artificialidade.

Toque no toque superado por neurotransmissor implantado no ponto G do prazer, não havendo mais necessidade da velha coletividade.

Ouvir é indispensável. Apenas importante e opcional. Falar somente pelos dedos. Instinto controlado, um ser novo, recriado, da conectividade.

Cara a cara, na tela, por “Cam”, espelhando práticas primitivas de ver um ao outro de perto ou de longe. Ambiguidade . Rara. Óbitos sem idade.

EU DESISTI DO BRASIL !!!

Sou brasileiro que desiste do Brasil. Após viver 33 anos como jornalista lutando contra a corrupção e vendo todas as ofensivas e deformações dos sistemas institucionais, resta-me viver no solo brasileiro como sobrevivente.

Sou escravo de um Judiciário formalista, de olhos arregalados e extremamente corporativista, despido da impessoalidade e do princípio da universalidade. É lerdo por conveniência quando se trata de grandes causas e célere quando há interesse de injuriar.

Temos um Legislativo em forma de quintal do Executivo, sem vértebra. O legislador não consegue fazer leis e nem fiscalizar, atribuições precípuas e constitucionais. Recebem procurações em branco de uma população alienada em seus direitos e deveres.

O Executivo faz troca-troca com parlamentares. A lei permite que mandatários se tornem serviçais comissionados do patrão executor, enganando a sociedade de quando elegido por bandeiras fictícias, renegociando o mandato em troca de uma “boquinha” de escorrer “leite”.

Eu desisto do Brasil porque o imposto excessivo mata o pequeno empreendedor; aleija o médio; e coloca o maior no purgatório. A reforma Tributária vive há décadas sob tratamento de “sossega leão” no manicômio que se chama Brasil.

A reforma política é uma utopia. Pra que obrigar a pessoa  a votar? Ela está indignada com tudo isso e, talvez, tenha desistido do Brasil como eu. Libertem a nossa gente! Uma Justiça Eleitoral suspeita, punitiva e sem afeição. Poder desnecessário! Obesa e mercantilista.

Nenhum homem, o mais poderoso, nesse caso o Presidente da República, vai quebrar essa engrenagem e reformá-la em prol da maioria da nação brasileira adoentada em todos os aspectos, dos pés à cabeça, pela ausência do Estado.

Desisto do Brasil porque chegou o dia mais evidente dita por Ruy Barbosa: “De tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos MAUS, o homem chega a RIR-SE da honra, DESANIMAR_SE de justiça e TER VERGONHA de ser honesto”.

Nunca subtrai de alguém um centavo na minha vida , como me ensinou minha humilde mãe. Porém , fico sentado na condição de réu, esperando sentença como bandido fosse, enquanto só fiz denunciar corrupto e corruptores.

Desisto do Brasil! Perdão àqueles que ainda acreditam!