Medo de “pular” o Carnaval para se solidarizar com os “aleijados”

As máscaras dos foliões simbolizam o esquecimento da realidade em troca de um trecho de fantasia de um mundo irreal em que o grito não é de alegria, mas de dor

Entre o dia primeiro e seis de março acontecerá a Festa do Carnaval no Brasil. Uma tradição de origem religiosa que encobre a nefasta realidade de milhões de “aleijados” impedidos do direito à dignidade.

Mesmos os incautos, muito mais estes, são sugestionados anos pós anos a se dopar para esquecerem a vida de gueto, assim como um viciado em busca do seu vício para fugir da cruel realidade em que vive.

Poucos governantes têm coragem de pausar a tradição enquanto houver fila da morte nos hospitais ou unidades de saúde bem como moribundos desempregados levando o corpo arrastado sem espírito para a rendição.

São bilhões em gastos por todo o País. Do presidente ao prefeito, ninguém se importa com esse paralelo dimensional antagônico. Pular Carnaval e externar alegria em cantos, com fantasias milionárias, é um escarro na sociedade marginalizada e usurpada nos seus direitos básicos.

A alegria efêmera proporcionada nesses dias não pode ser um valor incondicional superior ao conceito da vida e suas necessidades. O Carnaval, a julgar pela sua origem, deveria ser efeito de um sacrifício em memória do livramento do homem da morte pela morte de outro Homem.

Entretanto, no período do Carnaval é quando ocorrem os excessos, mortes e atrocidades, sem nenhum vínculo humanista ou espiritualista. É a comemoração da desgraça no primitivismo antropofágico sob a licença da covardia dos outorgados que deveriam cuidar de sua gente.

Capítulo 3: O Ano de 2020

Nenhum dia é igual ao outro. Nenhuma semana, Nenhum mês. Nenhum ano. Entretanto,  decisões e omissões marcam trechos do tempo.

O ano de 2020 foi diferente. Foi do azar. De quase todas as perdas. Da humilhação. Da indignidade. Da falta de esperança. Da depressão.

Ninguém podia ajudar. Todas as coisas não seriam se o paciente observasse os sinais. O agouro. A  negatividade humana. A malignidade sugando a fé.

Depois de meio século, tudo se torna mais lento. A reação ante o imponderável não é tão mais competitiva. Não há força em igualdade.

Não termina, parece que não acaba. As horas parecem semanas. A desgraça é alongada ao máximo em meio a dores indescritíveis. Envergonha!

Enquanto o sol por vezes aparece, as chuvas também, o desânimo é o melhor incentivo para ficar escondido, escondido das pessoas e do futuro.

Um sorriso salva o ano. Um sorriso leve, breve  em saber que 2020 se foi. Sim, está por ser aniquilado pelo porvir.  

Capítulo 2: A Ida e A Volta

Tornar-te incomum quando sai do nada e ascende ao tudo. Seria eternamente grato se nunca mais voltaste do tudo para o nada.

A vida na sua missão punitiva transforma as formas vivas em formatos sanfonas. Gordo e magro. Dias fáceis e dias muito difíceis.

Pessoas desaparecem todos os dias. Os dias desaparecem com elas. Gente que planejou por toda existência ir para ficar. Porém, sempre volta.

Como gangorra, o destino parece reto e certo. No entanto, a unidade de tempo e espaço quando ignorados é o elemento do regaço.

O antagonismo está por toda parte. Na ida pode estar o mal ou o bem. Na volta vem junto o cansaço, o medo, parte do céu com um punhado de sal.

A ida sempre é mais difícil. Exige coragem de mudar. A volta, não tão facilitador obrigado o passageiro passar pelo mito do Vale da Dor.

Capítulo 1: A Mente

Tudo vem da mente. As imagens mais pavorosas. Os planos mais dementes. Os pensamentos mais escondidos. 

A mente não desmente a sua verdadeira identidade. Quem você realmente é, o ser criado para não ser completamente.

A força mais poderosa do cosmo nasce de uma nascente no vale mágico do nada. Não se pode apagar o que pensa. 

Dela vem instinto, a razão e a loucura, mas ninguém pode fugir das criações da mente. Somente quem sente é possuído e possuidor.

Sem a mente, não há vida. Há corpo que de nada importa se os neurotransmissores não enviam os espasmos. Morta está a semente.

A mente come. A mente ouve.  A mente escuta. A mente degusta. A mente mata. A mente goza. A mente inventa. A mente não mente.

Pensamento Perfeito: Os Olhos

Os olhos falam mais do que a própria boca, mais do que o pensamento surgido e expressado em som. Os olhos são além da janela da alma. Remédio que acalma.

Molhados molham outros olhos, as pálpebras, catarata em risco nos dois lados da face. Água salina que também jorra para dentro. A esmo, alisa, lisa na mágica brisa.

O núcleo verde, azul, preto ou castanho, mestiço, grita alta só ouvido por outros olhos. Fixado, assusta. Piscando, desmorona. Girando, susta. Fechados, morona.

Sem olhos a corrente de vidas imaginárias se esvaem em fragmentos devastadores em dor. Olhos sangram. Olhos brilham. Olhos fascinam. Olhos hipnotizam. Íris…

A mente vaza pelos olhos. A fé, esperança e o amor são pedaços da terceira visão. Tridimensional. Virtual. Caminhos de palavras infinitas. Buracos negros, vácuo.

Os olhos buscam o que o corpo não consegue. No horizonte ou no vertical do espaço, tudo só existe pelo olhos. Olhos têm porão. A cegueira é o ápice da bela visão.

Pelos olhos se escuta. Pelos olhos é possível ecoar. Pelo olhos é possível criar. Pelo olhos é possível alimentar. Pelos olhos é possível ver seu desnudado outro eu.

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