Comércio de drogas em Cachoeiro virou atividade essencial

foto ilustrativa

Recebi um extenso e intenso relato de um cidadão cachoeirense de como o “delivery” de drogas funciona a todo vapor entre as 21h00 até às 5h00. A intensidade é tanta que os moradores dos bairros bases dessas plataformas de tráfico não tem paz. O rodízio de 15 em 15 minutos entre motocicletas e carros para comprar o produto tira o sono de qualquer um.

Enquanto o governador Renato Casagrande (PSB) fecha o comércio legalizado no Espírito Santo, o tráfico funciona como “atividade essencial”. Não existe efetivo suficiente das Polícia Civil e Militar para combater esse tipo de criminalidade nem na cidade do Rei Roberto Carlos e nem em nenhuma cidade do Espírito Santo. A sociedade está refém da bandidagem de baixo clero e a dos colarinhos brancos.

Os bairros Zumbi, Village da Luz e Valão formam o triângulo narcotráfico cachoeirense. Não existe operação efetiva para o enfrentamento com os “donos” dessas comunidades. Sem ronda noturna e sem sentinela diurna, os moradores vivem sob a égide do medo. A funcionalidade das bocas de fumo é padrão conhecida das forças policiais, contudo a Segurança Pública no ES está sem gestão e até sem exemplo da cúpula para motivar a tropa.

Existe sentimento de indignação muito grande das pessoas de bem e trabalhadoras. Enquanto decretos emergenciais quebram os negócios dos empreendedores, o Estado, indiretamente ou diretamente, protege com omissão o “serviço essencial” de tráfico de drogas, sem mencionar, matança, com efeitos colaterais danosos à estrutura social criada para as pessoas de bem.

Sobre aonde estão os pontos de “delivery”, é só perguntar qualquer morador.

Cachoeiro-ES virou terra de faroeste. Tráfico domina maioria dos bairros

WhatsApp Image 2018-01-18 at 00.30.03
Ousadia: Os próprios bandidos fazem self no momento em que matam desafetos

No início da madrugada de quinta, troca de tiros no bairro Boa Vista, com bandidos fortemente armados, mataram um desafeto de nome Guilherme Silva. Rixa de tráfico tem sido uma constante em Cachoeiro de Itapemirim-ES até com toque de recolher.

A situação é calamitosa. A Polícia Militar trabalha em condições precárias e não consegue fazer o policiamento preventivo e ostensivo por desestruturação da Instituição pelo Governo do Estado desde à paralisação da categoria em fevereiro de 2017.

A questão da Segurança Pública no Espírito Santo continua grave na crescente com domínio do tráfico na grande parte dos bairros mais carentes. Os policiais chegam, sempre, apenas para o procedimento padrão de registro pré-inquérito.

 

Minha esposa e a superlotação carcerária do Brasil, o terceiro no mundo com mais presos

RTEmagicC_carceragem.jpg

A minha esposa, Cristiane Feu Rangel Vieira, a caminho do trabalho, foi abordada por dois marginais que atuam com frequência na região de Cachoeiro de Itapemirim-ES. Fizeram a abordagem de praxe, com revólver em punho, arrancaram uma bolsa e tentaram levar a outra. Ela reagiu – nunca recomendado – e ficou sendo arrastada pelo chão, quando no pedido de socorro, os meliantes decidiram ir embora.

Ela chamou o Secretário de Segurança, Coronel Guedes Júnior – tinha o telefone dele na agenda, que enviou viatura para “espiar” a situação. Ele comanda uma Guarda Municipal sem arma. Um dos guardas lamentou e disse que não adiante prender porque a delegacia solta. Esta frase é ouvível desde quando só existia policiamento constitucional entre Polícia Militar e Polícia Civil.

Não sabe quando esse filme de terror terá fim. Constrói-se mais cadeira? Ressocializar a superlotação não tem jeito. Ou extermina seletivamente os de alta periculosidade – pena de morte não é permitido no Brasil – e existe comissões de direitos humanos cuidadores impecáveis pelos seres humanos deformados.

Enquanto prendem mal e não existe uma reforma do Judiciário, bem como da Segurança Pública, ficar-se-á discutindo quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. A PM tem birra da PC e a recíproca é verdadeira. A Polícia Federal se sente acima das outras duas. Enquanto se digladiam sobre fronteiras e jurisdição, a sociedade está aprisionada nas suas casas. Para trabalhar é preciso pagar a bandidagem, porque é mais seguro.

Os números

O Brasil é o terceiro país com mais presos no mundo. De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) de 2015 e 2016, divulgado nesta sexta-feira, a população carcerária no ano retrasado foi de 698.618, e de 726.712 em 2016. A comparação com outras nações só foi feita em 2015. O Infopen é um banco de dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça.

Naquele ano, o Brasil (698,6 mil) ultrapassou a Rússia (646,1 mil) e só ficou abaixo de Estados Unidos (2,14 milhões) e China (1,65 milhão). Logo após o Brasil, vem a Índia, em quinto, com 419,62 mil detentos. O Marrocos tem a menor população carcerária em números absolutos: 79,37 mil.

O número de internos mais do que dobrou em relaçãõ a 2005, quando 316,4 mil pessoas estavam presas. Em 1990, começo da série histórica, a quantidade era oito vezes menor do que a de hoje: 90 mil.

O Brasil é o terceiro em taxa de ocupação das cadeias (188,2%), atrás apenas de Filipinas (316%) e Peru (230,7%), e o quarto em taxa de aprisionamento por cem mil habitantes. O índice brasileiro, ainda para 2015, é de 342, menor somente do que Estados Unidos, Rússia e Tailândia. “Nos últimos cinco anos, Estados Unidos, Rússia e China diminuíram suas taxas de aprisionamento, enquanto no Brasil esta taxa aumentou”, ressalta o estudo.