O caule

Uma planta tem muito a ensinar ao reino animal humano. Sua forma sustenta os frutos e as folhas a partir da raiz. Não importa a envergadura, será sempre vertical. Sangra também. Sulcos viscosos para alimentar outras cadeias menores, mantendo o equilíbrio da flora e da fauna.

Os caules são extratos da materialidade do conhecimento no espaço e tempo perpassando eras de multidões de gente de todas as Índoles e cores, debaixo de estações das mais punitivas. O caule é um expectador privilegiado das pegadas humanas e de suas loucuras.

De toda espessura, seu formato circunferencial e caloso com micros rasgos serve para apoio das mãos e dos pés. O caule pode até virar uma arma na destreza de um artífice na busca da sobrevivência ou da satisfação pela malignidade solitária.

Quem vai saber a motivação para se escrever sobre o caule. Que diferença fará poetizar um mastro importante para o universo e seus seres medíocres, mesmo para os mais altivos? Talvez, talvez, como alavanca foi de eficaz serventia ao homem para construir sua própria selva de pedras.

Agora, se o caule inspira alguém a projetar variantes veias de algum raciocínio elevado para tornar uma vida mais misericordiosa em minúsculo espaço de texto próximo de algo psicodélico, já vale à pena analisar o escarro da raiz sobre a terra que lhe atura com as unhas fincadas em profundidades longas e esparramadas.

Isto leva a uma leitura futura se estripada pelo autor em outro nível: a interligação.

A dúvida do existir

Penso que a maioria dos quase 8 bilhões de pessoas não exerce suas funções plenas em direção à vontade de viver. Apenas, resiste e tem medo do antagonismo, a morte. É diferente entre a satisfação pela vida e a insegurança e a dúvida sobre o além do último respiro.

Os mais corajosos se matam, mesmo sendo chamados de covardes. Os medianos preferem não ousar a tanto ainda que já perderam o sentido e o entusiasmo de existir pelos corredores dos múltiplos sentimentos vagantes dentro de si, sem compreender o propósito.

Não tenho dúvida que a melhor fase do tempo, com raras exceções, era o da irresponsabilidade juvenil, cujos medos se limitavam a lendas urbanas e contos dos pais para disciplinar alguns impulsos fora da tradição. A inocência é bela, espetacular!

A linha do tempo adulta foi se tornando um sacrifício, por vezes, sem margens racionais. Há uma degeneração moral. O hábito vicia e mata até a lembrança do primeiro arrependimento. Tudo fica comum, normal. Exala uma sensação do fim de limite. Viu, ouviu, tocou, cheirou e degustou o mal e o bem em toda sua forma. Seria como voltar ao Paraíso após o diálogo com a serpente.

A vontade de viver perde para o medo da morte. Por isso, a resistência. O desconhecido apavora. Logo, a falta de empatia para uma geração inumana progressiva para o estágio animalesco, instintivo. O ponto: uma espécie mata a sua espécie por um celular como um tipo de regresso à caverna de Platão.

Quando morrer é viver

São 5h00 da manhã do dia 07 de abril de 2022. Eu pensava que dormir era uma perda de tempo, um estado de morte com respiro. A medicina diz ao contrário. A necessidade de dormir é obrigatória. Bem! existem muitas pessoas que sofrem da síndrome do drácula.

Os pensamentos noturnos, em geral, são inspiradores para enxergar a vida mais triste pelo acordar com a inerente responsabilidade de compromissos e responsabilidade. Alguns chamam isto de ansiedade, estresse, depressão e causas assemelhadas de dormir acordado.

Dormir é estar morto para o otimista. Para o pessimista, o viver é a própria vontade de morrer. No meu caso, sempre fui noturno. Se andar comigo, pode acordar de cabeça para baixo. A fina flor do auto conhecer, acho, acontece na solidão da noite para a madrugada até ao amanhecer.

Quando o HD está cheio é preciso descarregar em outra mente. Essa transferência não é fácil. Entornar suas emoções e sentimentos, parte, só um transplante tridimensional ainda não descoberto. Logo, você sente que o limite é o fim da missão, da jornada, sem mais destino.

Por isso, não dá para julgar como atitude covarde aquele (a) que desiste de dormir e acorda. Quando a repetição das luas e dos dias são rotinas de um ser sem perspectiva, então, de fato, morrer é viver na passagem para a linha infinita do tempo. A maioria quer ficar. Outra parte quer ir embora.

No fundo, você percebe que não tem mais corações e que existe um tempo ilimitada para seus parcos sentidos. Por isso, a ambição de querer tocar, obter, ter e não envelhecer. Aos mais desapegados aos instintos primitivos, o conformismo, mesmo doloroso, produz resultado mais nobre para esperar o não existir.

Os pecados que habitam em nós

 

É natural não desconhecer do pecado morador dentro de nós, sem pagar aluguel. Não é convencional confessá-lo, até mesmo para si. Os nossos medos adoecem a alma. Uma vez, confrontados com a consciência, as algemas são quebradas e a liberdade é jubilada como estilo de vida único. Raro.

Falange de mentiras forma exército quase imbatível. A inverdade contumaz, diária, alimenta e engorda o ego, porque, geralmente, é pai e mãe da vaidade. Sedutora, palavras prontas massageiam o interior mal formado, sem auto-estima, produzindo sensações de domínio e poder.

 A mentira é o pecado mais natural dos pecados possíveis, porque o seu genitor, impiedosamente, troca a ordem divinal e transgride, pelo engodo, as regras dos sentimentos mais nobres, como o amor. Ao meio metro do outro, o outro é capaz de esconder as maiores perversidades em nome da carência terrena.

 Bom alvitre todos não precisassem se esconder de si mesmo, aceitando seu estar, seu ter e seu ser. No momento, da dissimulação covarde, despreza-se a libertação em troca de existência medíocre. Estimulados pelos pecados não apagados, impede-se a emersão da nova criatura, à disposição de todos em forma de renovação de mente.

Impiedosamente, chicoteamos os nossos lombos e aplicamos choques virtuais mais do que podemos suportar em troca do prazer ninfomaníaco. O amor está perto do pecador (a), mas não há como enxergá-lo, nem tocá-lo, pois é impossível amar com o pecado da mentira no processo de metástase.

O egocentrismo é fatal no caso desse implacável inimigo da humanidade: o pecado, no destaque, a mentira. Sofremos horrores por esta escravidão. Chibatadas infinitas enquanto vão morrendo as células, mortificando o corpo e humilhando o espírito. Como escapar da tocaia dos descaminhos construídos ao longo da vida?  Ceifamos o que plantamos,

Entre o primeiro e o último parágrafo, o enigma do calabouço que aprisiona a todos nós, a mim e a você, em circunstâncias, talvez, diferentes, mas com o mesmo modo operacional, é decifrado com uma velha e conhecida passagem bíblica: II Samuel 12:5-7.

Contagem regressiva para o reinício

 A partir de algum momento, o cronômetro é acionado. Deixa-se de crescer, preparando-se para o renascimento. Nada surpreende. Tudo debaixo do céu é natural. Não há fenômenos para acrescentar ao relógio com ponteiros regulando inversamente. A esperança não vem mais da vida, mas da reavida.

As regras são já definidas, entre epicureus, pelos prazeres como ápice da existência e os estóicos, pela rigidez das leis morais, implacáveis com a fraqueza da carne, entre tantos filos, o respirar é apenas um detalhe. Nasce-se, chorando pelo desconhecido. Finda-se, em geral, de igual modo, pelo conhecido.

 Não se consegue conhecer a si mesmo. Se fosse possível, a maldade seria evitada. Não se conhece muito menos que caminha com você, pois se fosse possível, todos estariam desvendados e os eventos benignos seriam mais atraentes, sem exigir esforço. Contudo, a vida é um espetáculo inigualável. Sem fim.

 Relato assim narrado, prolixo de propósito, melancólico pelos olhos de alguns como no apreciar quadro abstrato, vendo o que deseja ver, bem como efusão de otimismo, pela exaltação à eternidade, torna-se algo pessoalíssimo, intimista, de patrimônio somente do autor. Mas, à disposição de qualquer observador.

 A gente olha para o céu, fascinada. Olhar para a terra, por onde anda os pés, é menos interessante, porque, geralmente, caminha por descaminhos do coração, gestando dores e lágrimas. As galáxias são distantes, formatam esperança, sem mencionar beleza inalcançável. Entre mitologia e a biologia, o que vem do espaço estimula o córtex.

 Depois de chegar até estas últimas palavras, mais provável tenha perdido seu tempo, o mesmo do pêndulo retroativo. Somente o presunçoso escritor se beneficia da sua própria tese, não podendo ser contestado por não vendeu seus direitos e ninguém os compraria, pois não tem valor, estimado apenas para os apreciadores do óbvio.